Compreender a costa
Nazaré: o canhão, a época das ondas gigantes, e o Sítio
Porque é que um troço da costa portuguesa produz algumas das maiores ondas surfáveis do mundo, e como é, na realidade, visitar o alto da falésia sobre a praia.
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| Surfista | Ano | Altura da onda |
|---|---|---|
| Garrett McNamara | 2011 | 23,8 m / 78 pés |
| Rodrigo Koxa | 2017 | 24,4 m / 80 pés |
| Sebastian Steudtner | 2020 | 26,2 m / 86 pés |
| Maya Gabeira | 2020 | 22,4 m / 73 pés (feminino) |
O canhão que constrói as ondas
O Canhão da Nazaré é uma fossa submarina ao largo da Praia do Norte, muito mais profunda e mais próxima da costa do que a maioria, e funciona como um funil para a ondulação atlântica que chega — concentrando e amplificando a energia das ondas que, de outra forma, se dissiparia sobre um fundo marinho mais suave. O efeito é um troço de costa que, com a ondulação de inverno certa, produz algumas das maiores ondas surfáveis do mundo inteiro, atraindo surfistas de ondas gigantes e uma verdadeira multidão de espectadores ao alto da falésia.
Os recordes, e porque esta página não chama a nenhum deles "atual"
Garrett McNamara estabeleceu aqui uma primeira marca com 23,8 metros em 2011; Rodrigo Koxa superou-a com 24,4 metros em 2017; a onda de 26,2 metros de Sebastian Steudtner, em 2020, é o recorde mais recente amplamente noticiado até à data desta publicação, sendo a onda de 22,4 metros de Maya Gabeira, no mesmo ano, a marca feminina reconhecida. Os recordes de ondas gigantes são batidos com frequência, por vezes na mesma época — esta página regista o que está documentado, em vez de declarar uma "maior onda de sempre" permanente, que provavelmente voltaria a estar errada dentro de pouco tempo.
Esta é uma costa de vila pequena, não um parque de surf
Apesar dos recordes, a Nazaré é uma verdadeira vila piscatória em atividade durante a maior parte do ano, e as ondulações recordistas são um fenómeno especificamente de inverno — os visitantes num passeio de um dia na primavera ou no verão, como este, veem as mesmas falésias e o mesmo canhão que produzem as ondas gigantes de inverno, mas sem as ondas gigantes de inverno em si. Vale a pena sabê-lo antes de chegar, para que a praia não pareça um anticlímax face às fotografias.
Até ao Sítio
Acima da vila junto à praia, o Sítio, no alto da falésia, fica a cerca de 110 metros de altura, ligado historicamente pelo Ascensor da Nazaré. O Sítio alberga o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e o miradouro sobre a Praia do Norte, e é o cenário da lenda fundadora da vila: em 1182, a Virgem Maria terá aparecido para salvar o cavaleiro D. Fuas Roupinho de cair da falésia com o seu cavalo, enquanto caçava um veado em nevoeiro cerrado, e ele construiu uma capela no local em gratidão. Não é indicado na reserva se este passeio em concreto usa o funicular ou sobe pela estrada — de qualquer forma, a vista do alto da falésia sobre o canhão é o objetivo da subida.
Tirar o máximo partido de uma paragem de 95 minutos
A Nazaré recebe mais tempo do que qualquer outra paragem neste percurso, e com boa razão: são, na verdade, dois lugares (a vila da praia e o Sítio) mais o almoço, tudo num único período. Uma ordem sensata é almoçar primeiro, enquanto o grupo está reunido, e depois subir ao Sítio para o santuário e a vista — tentar fazer o inverso num horário apertado arrisca uma refeição apressada precisamente na altura do dia em que todos estão provavelmente com mais fome.
De onde vem realmente o nome da vila
A vila tira o nome de uma imagem de madeira esculpida da Virgem Maria, venerada no Sítio muito antes da cavalgada de D. Fuas Roupinho em 1182 — segundo a tradição, a imagem terá sido levada de Nazaré, na Galileia, para a Península Ibérica no século V, por um monge que fugia à perseguição religiosa, chegando por fim ao santuário no alto da falésia que deu o nome ao povoado piscatório em crescimento ali em baixo. Seja qual for o rigor histórico de cada pormenor desta cadeia, é a razão pela qual uma vila piscatória portuguesa no Atlântico carrega o nome de uma cidade da Galileia, e é a mesma tradição da imagem que o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio, continua até hoje.
Uma vila piscatória primeiro, uma vila de surf depois
Vale a pena lembrar, ao caminhar pela Nazaré num dia comum, que os recordes de ondas gigantes são uma camada recente, especificamente de inverno, sobre uma identidade piscatória muito mais antiga. O traje tradicional da Nazaré para as mulheres locais incluía historicamente uma saia de flanela distintiva, bordada em sete cores diferentes, e a marginal ainda mantém os ritmos de trabalho de uma vila piscatória — barcos, redes, a pesca do dia — mais do que se apresenta como um destino puramente de turismo de surf. Uma visita num passeio de um dia fora da época de ondulação de inverno vê muito mais desta Nazaré mais antiga do que aquela sugerida pelas fotografias recordistas, o que vale a pena ter em conta antes de chegar.